Formato hibrido


07/10/2010


Foto antiga e preto intenso _marcelo amm

Foto: Grace Olsson

 

 

Uma rua com nome de jardins, um bouquet de rosas vermelhas atiradas ao chão – que pecado. Outros lixos, uma cama velha quebrada, um colchão usado, um tecido absorvente  fazia o forro. Um laço de fita branco envelhecido. Cartas, sem envelopes, de letras antigas rebuscadas.Uma mala de couro e o fecho quebrado. O vento imparcial lendo as palavras em segredo e as formigas passeando no intimo da mala.Uma foto de menina, uma foto de  menino, fotos de f amília – o patriarca sério sentado com as pernas abertas, a matriarca tinha uma parte do cabelo preso á testa, a boca carmim brilhante e pernas fechadas – as crianças estavam em volta. Uma foto de casamento, uma foto com uma criança no colo, uma outra com uma criança nos braços. O papel fotográfico resistente, forte, daqueles possíveis á escrita “ao ilustre amigo”, “ á prima...” “ao primo”, “ao querido amor de minha vida”, “ á minha amada formosura”...

 

Nascimento e casamento: risos, choros, velas, vasos com plantinhas, taças de cristais, toalhas de mesa, compotas de doces, talher de peixe, mobília, roupa copiada da revista, desenho de coração e namoro no portão.

 

Tudo aquilo foi muito tempo de ontem pra trás, foi o hoje de alguém, o dia mais feliz de suas vidas, já foi dia, já foi novidade, surpresa ou moda, porém não conseguiu ser forte o suficiente para evitar o mais triste – sem surpresa ou moda – agora é morte no lixo que o vento sem querer devassa. Foi touro e caranguejo; balança e sagitário; naufrago no aquário e peixes.

 

 

Escrevi em 20.09.2009 usando a técnica “Walking writter” passando pelo lixo do Jd. João XXIII – Brotas – Ssa – Ba   

 

Escrito por marcelo amm às 17h06
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