SP: Feira Moderna_Marcelo amm

“ Daquilo que eu ‘sabia’nem tudo me deu clareza, foi permitido ou proibido[...]cheirei, toquei, provei. Não quis fechar os olhos, nem tapar os ouvidos. Eu usei todos os sentidos e, é porisso que eu me sinto cada vez mais limpo”, ‘mais livre..Aprendi naquele momento a ver as luzes, eu que era acostumado a ver navios, aquelas ondas eram concretas e cheias de quadradinhos luzes, daquelas luzes que ficam em algum lugar e que cabe a alguém usar uma conexão física: ação+vontade+desejo de fazer a luz e far-se-á luz acionada por um dedo a um switch  - interruptor teclado para que ela passe a existir e a cidade ganhe perspectivas, detalhes.

 

Eu de um signo solar Áries, litoral do recôncavo baiano,  ascendente marginal Tietê e lua no MASP. Daqui de frente pro sol nunca me dei á devida atenção a essa luz que é  um artificio dos fogos de artifícios. As luzes vermelhas não eram do Bataclã de Jorge Amado dos Ilhéus onde caberia um puteiro, um pub, um inferninho masculino era um isqueiro de Osvald ou Mário acendendo um cigarro metalingüístico para Anita fazer a fumaça quente caminhar circular em busca de uma página do papel rasgado ou uma folha da bananeira customizada e quando acesa levasse noticias em sinais de fumaça para os meus: Tatuapé, Glicério, Cambuci; Anhaguera, Catanduva, Anhagabaú – Ôrra meu tô fumado mano, como pode um viaduto feito de chá?

 

O outono  me pareceu uma luva macia agradável, uma roupa biodegradável, agradável á pele daquelas mulheres  Brigittes Bardots e  Claudias Cardinales bunitas. E, eu que não sabia das cidades grandes em meus dedos, nas pontas dos dedos no ‘m’ das minhas mãos a linha do destino e a linha da vida habitavam o hemisfério inteiro. Do pouco céu, inferno e caralho á quatro do quarto via umas flores cujo nome eu não sabia, assim como, o outono era o meu inverno mais tórrido gelando minhas paredes pichadas de grafites modernos, engarrafamentos on, play, in, out: Ave – Maria Cheia de Graça. Tarsila do Amaral rogai por nós, nobres pecadores. Não deixeis Adoniran Barbosa perder o metrô prá Jaçanã em nome do Pai, em nome do Filho, em nome de São Paulo do Espírito Santo. Amém!!!

 

 

 

“Tua cor é o que eles olham, velha chaga
Teu sorriso é o que eles temem, medo, medo
Feira moderna, o convite sensual
Oh! telefonista, a palavra já morreu
Meu coração é novo
Meu coração é novo
E eu nem li o jornal
Nessa caverna, o convite é sempre igual
Oh! telefonista, se a distância já morreu
Independência ou morte
Descansa em berço forte
A paz na Terra amém” Feira Moderna – Lô Borges

 

Intertextualizei Ivan Lins - Daquilo que eu sei. Fotos: Google, Letra de músicas - vagalume.com e uma foto em preto e branco www.igc.sp.gov.br

Inspirado no texto " Da Calçada" de Monica Montone publicado em 17.04.09 aqui 

 

Escrito por marcelo amm às 22h14
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