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Lá no alto tem vaga pra duas_marcelo amm

Maio, mês das borboletas noivas flutuantes em brancos véus (...) talvez tivesse sido um prenúncio do que ia acontecer no final da tarde.

Talvez seja porque seja maio e o clima ameno pareça materno e acolhedor. Talvez seja porque maio chove preparando, deixando a terra mais macia para a semente germinar e as mães cobrem os filhos com cobertor"es". Talvez seja a feminilidade de maio a culpa ou sei lá, uma junção de maternidade prá lembrar um ciclo humano terreno – Ter vida é Ter idade e que um dia é chegada e noutro partida. Talvez seja porque é maio o porquê da Bahia Ter doado duas de suas mães. Talvez seja para mostrar que é possível uma italo-paulistana, nascer no dia da Independência da Bahia e "maluquecer" o coração de um baiano das "Terras do sem-fim" com cacau, algumas pitadinhas de cravo e canela. Talvez seja para bater na cara da "igualdade" social soteropolitana que se fez possível uma baiana de acarajé iletrada enriquecer e manter os filhos em faculdades européias. Talvez seja porisso que Dorival tenha cantado " a terra do branco mulato, a terra do negro doutor" que mesmo não tendo sido para ela, aqui fica sendo. E, tendo escrito de fato para Jorge e Zelia Gattai Amado " acontece que eu sou baiano. Acontece que ela não é.". Talvez seja por medo que a Bahia não põe em outdoors para vestibulares fotos de pessoas negras, também não em comercias de lançamentos de novos prédios de apartamentos. Talvez seja por medo de Ter olhos negros e cordão umbilical mulato que as pessoas acendem uma vela prá Deus e mantém um pejí pro Diabo. Jesus, Maria e José grafado na frente da porta e uma guia de oxalá por baixo da roupa posta.

 

Bem lá no alto " A Hora da Estrela" Clarice Lispector

Falei sobre o desencarne de Dinha do Acarajé e Zélia Gattai.

Pejí é algo tipo um altar africano.

Oxalá "é" Jesus Cristo para o sincretismo religioso.

Pessoas escrevem a giz em suas portas dianteiras da casa J.M.J que é Jesus, Maria e José confia –se proteção para aquele local.



 Escrito por marcelo amm às 12h03 [] [envie esta mensagem] []






Zoom – zum – zum._marcelo amm

 

Zum-zum parecem abelhas. Zum-zum-zum fala-se daqui, ouve-se de lá.

Fala-se do amor, do que se imagina, do que se supõe.

Esquecem-se da força que move a vida, o amor!

O Olhar cúmplice, compartilhado é o que a sociedade admite, admite apenas supor.

Que se foda a suposição!

Que se foda o zum,

O que move  a zoom, é o amor.

É o toque das plumas que voam e ganham mundos.

O que importa é que a força motriz das iguais é humana

E renova as células

E purifica, como redentora, o ar

E se faz luz.

O zum-zum é fêmea,

A zoom é abelha-rainha.

O zum é o barulho da língua no ouvido

A zoom é a parte do corpo que dá tesão

É o que as fazem comer com olhos.

É o que lhes dá emoção.

 

 

 

 

Lauro de Freitas, Ba 20.09.2005. Escrito para duas ex-colegas de trabalho que se amam.

O texto manuscrito com os rabiscos e alterações esta com elas, portanto, é delas...

eu só fiquei com a versão digital. Fiz com muita alegria.marcelo_amm  

 

Fotos:google



 Escrito por marcelo amm às 11h11 [] [envie esta mensagem] []




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